Vaga Masculina – Uma pequema história sobre discriminação

Prezado Ciee Santa Catarina

Sou estudante de Tecnologia em Redes de Computadores no Cefet Santa Catarina e também de Física Bacharelado da UFSC e desde o início do meu curso no Cefet realizei estágios pelo Ciee. Sempre tive um bom atendimento, vagas interessantes, boa orientação, um serviço realmente muito bom.
Entretanto, qual não é a minha surpresa quando interesso-me por uma vaga de estágio na área de manutenção de computadores e seguindo o procedimento habitual, solicito encaminhamento com as atendentes/estagiárias de psicologia e ouço a seguinte frase: ” Desculpe, mas eu não posso te encaminhar para esta vaga pois a vaga é masculina.”
Como?Sinceramente não acreditei no que estava ouvindo. Perguntei à moça se ela tinha certeza, se aquilo estava correto,se uma empresa podia cadastrar uma vaga e colocar esta especificação. ‘ Sim esta correto. Eles podem sim, a vaga eh da empresa, ela que decide que profissional que deseja’.
Saí do Ciee setindo- me ofendida e com meus direitos de cidadã negados. Ser negada para uma vaga porque o curso não está de acordo, não possuir qualificação suficiente ou horário disponível incompatível com o da empresa tudo bem, mas por não ser do sexo masculino?
Em diversas oportunidades estive no Ciee e pude ler as revistas e folders divulgando a proposta do Ciee, seu comprometimento social com a inclusão do jovem no mercado de tabalho. Gostaria de saber que tipo de inclusão é feita no Ciee, pois acredito que o conceito de inclusão no mercado de trabalho e consequentemente inclusão social, não possa ter espaço para exclusões sexistas ou de qualquer tipo.
É decepcionante verificar que uma organização deste porte possa estar contribuindo desta maneira para o atraso do país, permitindo que empresas continuem com administrações preconceituosas, excluindo parte da população e dificultando que pessoas qualificadas, de qualquer sexo, etnia ou religião, possam desenvolver seu trabalho colaborando para o crescimento do país, recebendo salários justos por sua capacidade de trabalho (capacidade real e não pré-concebidas a partir de preconceitos),e consequentemente colaborando para a diminuição do abismo social existente no Brasil .
Estarei aguardando a posição do Ciee quanto a este assunto, mas deixo como sugestão que tanto os senhores como as empresas que são cadastradas no sistema Ciee dêem uma estudada na Constituição Brasileira. Muitos códigos podem ter sido modificados e aperfeiçoados ao longo dos anos, mas a premissa básica de que ” todos são iguais perante a lei” ainda não mudou e todos nós, como cidadãos brasileiros, temos isto como direito e dever.

Aguardo sua resposta.

(Estou aguardando…….)

ps: a foto foi retirada de http://www.portaldavaca.com.br/simagens/bichos_05.htm

Ps2: Recebi a resposta mais ou menos 3 dias depois. O senhor Marcelo, gerente de relacionamento do Ciee- SC, me ligou pedindo desculpas, explicando que foi um procedimento errado e que já estava sendo averiguado. Pediu para conversar comigo pessoalmente mas infelizmente não pude por total falta de tempo. Agradeço ao senhor Marcelo e ao Ciee pela atenção dada ao assunto.

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