Como boa caloura da UFSC, durante o período de recepção aos calouros do semestre 2006/01, observei os vários trotes que ocorreram na Universidade para ter algumas idéias maléficas para quando eu for veterana…hehehe. Brincadeiras a parte, o que pude observar com clareza foi a grande concentração de determinados gêneros (tratando- se de masculino e feminino) em determinados cursos. Nos trotes dos cursos do CTC (Centro Tecnológico da UFSC), entre vários meninos havia uma e outra menina cantando junto o hino do calouro (eu sou calouro…eu não me engano ….eu dou a vida pelo veterano!). Um grande contraste com os cursos do CCE (Centro de Comunicação e Expressão), CFH (Filosofias e Humanas) e em especial o CED (Ciências da Educação), que conseguiu ter uma turma de pedagogia com apenas um menino! E daí?

E daí que eu não acho isso ‘legal’. Considero– o como um fato que demonstra que o acesso ao conhecimento no Brasil (e possivelmente no mundo) ainda é marcado por uma forte discriminação de gêneros, discriminação esta que nos acompanha desde a nossa educação familiar, quando os irmão, primos e afins ganhavam carrinhos e vídeo- games e as meninas bonecas Barbies para enfeitarem.Felizmente não sou a única pessoa que passa seu tempo a pensar e agir sobre este assunto. Há sim várias pesquisas na área de ciências socais que investigam o porquê de tão poucas mulheres na área de exatas. Também não só de pesquisas vivem as feministas e pensadoras, há muitas mulheres agindo para mudar esta realidade. Um bom exemplo? A comunidade virtual (mas com ações reais tb!) LinuxChix.org. A comunidade surgiu para mulheres (e homens !) que gostam de Linux, onde gostar é sinônimo de aprender, trocar experiências , e para apoiar mulheres na computação. Além do clima de respeito que há na lista, pois a chance de vc receber um comentário sexista imbecil como resposta para uma pergunta é quase nula e a chance de se um dia isto acontecer a infeliz criatura ser expulsa da comunidade é alta, o projeto conta com excelente documentação sobre Software Livre e o ‘How To- Como incentivar mulheres a usarem e permanecerem no Linux’ . O último, mesmo que vc não trabalhe nesta área, vale a pena ser lido. A partir disto que surgiu o ‘Encontro Nacional LinuxChix Brasil’, que este ano teve a sua 4o edição em Florianópolis nas dependências do colégio Bardall.

Pude participar do evento apenas no dia 9, sábado, e assisti a algumas palestras. Particularmente achei a palestra sobre ‘Alta disponibilidade de Servidores com FreeBSD’ bem interessante. Tudo bem, tudo bem!Eu assumo que tenho um interesse maior sobre o sistema operacional FreeBSD e este interesse torna-se gigante tratando-se de servidores, mas aconteceram palestras para todos os tipos de interesse dentro do Software Livre , como ‘Integração de Ambientes Linux- Apache com MS-Active Directory através do Samba’, ‘Kernel do Linux para iniciantes’ e até mesmo um pouquinho de Microsoft, que entre as suas ações para se aproximar do Software Livre foi uma das patrocinadoras do evento, e esteve presente com a palestra ‘Arquitetura de Virtualização da Microsoft e sua Interoperabilidade’.

Infelizmente não haviam TANTAS meninas no evento,por um momento me senti até um peixe fora d’água. Entretanto,é um longo caminho mudar uma cultura tão arraigada em nossa sociedade. Aos poucos e com mais ações com este foco, de crescimento profissional e não de chorumelas por ter nascido mulher, esta realidade está mudando. Ao menos na Física- Bacharelado, mais de 10% dos calouros eram do sexo feminino!
Ps1: Se vc se interessou pela comunidade, de uma olhada em http://www.linuxchix.org.br , que é a regional brasileira do projeto.

Ps2: As palestras estarão disponíveis no site da LinuxChix.

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