Ela trabalhou quatro vezes mais tempo do que era esperado, mas nada dura para sempre. Depois de mais de dez anos no espaço, a sonda Mars Global Surveyor parou de funcionar em 2 de novembro do ano passado. Após várias tentativas de contato, nesta sexta-feira (13) a Nasa finalmente admitiu que ela está perdida para sempre.

Segundo um relatório divulgado por um grupo de avaliação interna, a MGS foi vítima de uma complexa seqüência de eventos, que foram desde falhas na memória do computador até problemas nos comandos em Terra. Ou seja, morreu de velha.

A última comunicação da nave foi em 2 de novembro: uma série de alarmes disparados depois que os controladores requisitaram um ajuste de rotina em seus painéis solares. Os engenheiros acreditam que 11 horas depois, ela ficou sem energia, depois que uma bateria foi exposta à luz solar direta, e incapaz de controlar seu rumo. O mau posicionamento de uma antena evitou que a sonda avisasse a Terra de seus problemas. As falhas computacionais, segundo eles, começaram cinco meses antes.

A avaliação da Nasa foi que a equipe em Terra fez tudo o que podia, mas que os procedimentos adotados foram insuficientes para detectar os erros. O grupo de avaliação vai fazer recomendações para que outras missões não cometam as mesmas falhas.

A missão inicial da MGS era acompanhar um ano marciano completo (o equivalente a dois na Terra). Superando, e muito, as expectativas, a nave foi o instrumento que mais tempo passou em Marte, trazendo imensas contribuições para o entendimento do planeta.

Enquanto funcionou, foi uma das sondas com melhor relação custo-benefício. Além de ter durado muito mais do que seu tempo de vida original, a espaçonave foi uma das mais baratas feitas pela Nasa. Fruto do modelo “faster-better-cheaper” (mais rápido-melhor-mais barato) criado pelo então administrador da agência, Daniel Goldin, a MSG, junto com a também famosa Mars Pathfinder, foi precursora de uma série de orbitadores e sondas de pouso bem-sucedidos no planeta vermelho — uma lista que inclui “estrelas” como os jipes Spirit e Opportunity e as espaçonaves Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter.

A Global Surveyor foi protagonista de descobertas importantes, como a constatação de que água fluiu pela superfície marciana esporadicamente em épocas recentes (uns poucos milhões de anos, que são uma ninharia em termos geológicos).

Notícias obtda no site G1

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