Confesso que ler a notícia publicada pela RBS em seu site deixou-me com uma certa raiva. A parcialidade do jornalismo e a falta de verdade dos fatos, revelam como são as relações de poder nesta cidade. Não estou dizendo que em outras não seja assim, é que neste texto, estou me referindo especificamente à Florianópolis.

Todos os anos temos protestos contra o aumento da passagem de ônibus, e todos os anos, as questões que geram estes protestos continuam sem resposta. Por que pagar tão caro, por um serviço tão ruim? Por que a integração e o valor mais baixo da passagem só é válido para quem utiliza o cartão? Quem está lucrando com este cartão? Os protestos não são simplesmente para que não se aumente o valor da passagem e sim para que se tenha relações comerciais claras no que diz respeito a uma serviço básico ao cidadão. Não são protestos de estudantes para estudantes e sim de estudantes chamando a população para questionar sobre o destino do seu dinheiro. Este é o maior problema: a falta de apoio da população em geral (ou falta de interesse em discutir o assunto). Pelos comentários deixados no site da RBS em relação à notícias publicada, lia-se “estudantes vagabundos, baderneiros, violentos. Tem mais é que descer o cacete”. Percebe-se ainda que a ação da polícia reforça esta idéia, pois como poucos se interessam em conhecer a problemática em questão, o que se vê é tropa de choque e batalhão de operações especiais, baderna, ponte fechada.

Mesmo acompanhando os protestos há três anos, ainda não entendi porque praticamente toda a polícia é chamada para cercar estudantes em um protesto sem armas e legítimo. Pior ainda: enquanto boa parte do contingente policial está cercando estudantes, as favelas continuam sem policiamento, estupros continuam ocorrendo, assaltos à estabelecimentos comerciais e assassinatos seguem seu curso “normal”, porque a polícia não está nas ruas para proteger o cidadão. Está nas ruas para cercar estudantes e usar a força alegando que estes são violentos e estão armados (e novamente eu me pergunto, que armas? Livros de física e biologia?). A única conclusão a que chego é que esta foi a forma encontrada de desmoralizar o movimento e de praticar o habitual abuso de poder das autoridades, neste caso representadas pela polícia. Sim, por que agora a polícia militar persegue o movimento até na Universidade Federal (para quem não sabe, a UFSC é considerada área federal, e só a PF pode intervir ou a polícia do campus).

Os protestos vão continuar. A ação da polícia também. Só espero que a população passe a pensar de maneira mais crítica sobre o assunto. Não que todos tenham que concordar com o movimento ou as estratégias utilizadas pelo movimento. Mas pensar um pouco no “por que das coisas” não faz mal a ninguém.

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