Quando há alguns meses saiu o relatório definitivo do IPCC sobre a situação climática e ambiental do planeta na atualidade, eu imaginava que as palavras contidas naquele documento tivessem impacto indelével sobre as pessoas, governos e corporações. Afinal, pensei eu, sugeriu-se com aqueles resultados que o aquecimento poderia destruir boa parte da economia do mundo, fazendo sofrer principalmente os países mais pobres, sem estrutura para administrar as consequências climáticas sinistras pressupostas no documento. O Príncipe de Mônaco (!) parece que ouviu bastante, e um ou outro governante com certeza prestaram atenção, principalmente ao terem acesso a visualizações das consequências imediatas. Tudo levava a crer que aquele seria um momento divisor de águas.

Quanta ingenuidade minha. Falou-se por alguns dias sobre o tema na mídia (ah, o hype da notícia fresquinha!…), houve algumas reportagens incômodas nos jornais, revistas e TV, com cenas dignas de filme de catástrofe – que provavelmente apenas levaram os telespectadores a mudarem de canal para um programa de auditório mais “leve” (não os culpo, a vida de gado não tem sido fácil nesses dias marcados). Mas depois dos primeiros dias, o assunto meio que “morreu”, e voltamos a prestar mais atenção ao escândalo político do dia (pelo menos, eu estava bem-acompanhada nessa constatação). E as pessoas decidiram retornar àquele estado de eterna negação e apatia tão típico de quem tem um enorme problema em mãos e não sabe como resolver. Freud deve explicar.
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