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Calor em Curitiba. Saí de vestido preto, cabelo preso, óculos grandão e chinelo. Chinelo mesmo, daqueles que agora chamam de sandálias. Olhei para o chinelo e ele estava lá, normal como sempre. Fui até a feirinha, comprei bala de menta e fiz a mesma volta que sempre faço.

-Bi, vamos até a Cultura (livraria)?

-Ah, vamos, deixa só eu me arrumar um pouquinho!

Prende o cabelo de novo, retoca o pó compacto, um batom de nada, procura o chinelo e sai. Toda feliz! Linda a rua, lindo o final de tarde, lindo o bairro, lindo o tropeção na esquina da rua Desembargador com a Comendador Araújo. Olho para o chão procurando uma  pedra ou desnível e vejo ele lá, um objeto sorridente e desengonçado zoando com a minha cara: o chinelão (agora não é mais sandália), com a tira arrebentada!  Pego o objeto estranhamente identificado e, ainda com aquele ar de “que dia lindo”,  viro-me para o namorado:
– Ow, tens um prego aí? Tenho que arrumar meu chinelo.

– Você não tá falando sério…
-Claro que estou. Preciso de um  prego. Ou grampo de cabelo.

-Hhauahu, não tenho, vai ter que ir descalça!

-É, é o jeito! Vamos voltar pra casa.

Dez quadras de volta, e uma grande lição: se vc é chique de verdade, vc leva um prego na bolsa pra arrumar o seu chinelo.

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